Clecio José Carrilho
“O
trabalho ainda está no começo, é árduo e moroso, mas o conhecimento passado
prova que mudanças ocorrem, são marcantes, e podem de fato construir um novo
pensamento.”
S
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ou
educador a exatos dez anos. Formei-me em Geografia, pela Universidade Federal
de Uberlândia, no saudoso estado de Minas Gerais, no qual sou nascido e criado.
Mas jamais pensei em um dia estar relatando essa minha curta experiência de
vida como educador, citando fatos dessa deliciosa prática, a docência.
Por toda a adolescência,
pelo menos aquilo que recordo, fui um apaixonado pela natureza, sempre fora um
admirador da vida bucólica, e não almeja fugir dessa vida. Assim, ao se
aproximar da data de inscrição no vestibular, fui obrigado a passar horas do
meu dia pensando em que fazer quando terminar o Ensino Médio. Almejava
Engenharia Florestal, mas a faculdade mais próxima ficava horas de distância
onde morava, coube, então a escolha e uma universidade mais próxima, e claro a
escolha do curso, não me considerava um amante da biologia, por isso opção
descartada, a Agronomia seria um grande possibilidade, mas não pensava na ideia
de tornar-me vendedor de fertilizantes. Surge então a terceira opção,
Geografia. Era a disciplina que mais adorava, e muito se deve a Vânia,
professora de geografia de meu ensino médio e, prima. Fechado. Curso escolhido.
Seria professor, poderia viajar, e a geografia me possibilitaria ver o mundo.
Data do vestibular marcada, primeira fase, sucesso. A segunda, na corda bamba,
aprovado pela lista de espera. Finalmente aluno do curso superior em Geografia.
Apesar de cursar a Geografia,
sabendo do amor que tinha por conhecer a Terra, sabia das dificuldades que
teria enquanto professor. Salário baixo, a realidade de um país que ignora a
educação, mas não teve jeito era minha vocação. Dei aula em cursinhos gratuitos
como voluntário enquanto estava na faculdade; ajudei a organizar eventos
enquanto fazia estagio nas escolas. Pronto, vida definida, professor.
Em 2003, já formado fui
a luta. Deixei a cidade onde morei por quatro anos, onde construí minha base
acadêmica. Voltei para cidade de meus pais, em busca de uma vida profissional.
Estava sedento por ensinar. Apesar da dificuldade de encontrar vaga, em meados
de abril do corrente ano, encontrei minha primeira sexta-série. Inesquecível,
haja a vista os “santinhos” que surgiram.
De fato nem tudo são
flores, mas elas florescem. Somava-se a dificuldade de lecionar para uma turma
indisciplina e, o fato da escola estar em outra cidade, a qual somente podia ir
de carona, já que ir de ônibus era inviável, pois pagaria para dar aula.
Felizmente
a agonia logo terminou, com a possibilidade da mudança de escola, mas não de
cidade e somei um número maior de aulas, foi o marco de minha iniciação
profissional. Uma escola com grandes pessoas, um carinho pelos alunos, e
considerada uma das melhores escolas do país, Escola Estadual Professor Luis
Antonio Correa, vulgo Polivalente. Mantive-me nessa unidade nos anos de 2003 e
2004, realizando projetos diversos, tornando-se marcante pois fora onde obtive
minha primeira função de professor coordenador de trabalho, no qual pude
realizar viagens até a capital Belo Horizonte para a capacitação dos demais
professores das ciências humanas, e onde construí um forte vinculo com os
alunos. Nesse mesmo período, também lecionava na cidade onde morava com meus
pais, a mesma escola que cursei durante toda a vida escolar. Foi um dos maiores
orgulhos de minha vida profissional, lecionar com professores que foram meus
professores, e lidar com pessoas que fizeram parte de minha pessoal.
Ainda
nesse período fui aprovado no concurso para professor do estado de São Paulo.
Apesar da excelente vida de educador que levava, não tinha estabilidade
profissional, por isso a mudança de cidade, de vida, de tudo.
A escolha da cidade encaixa-se
bem a minha formação, olhei no mapa do estado e encontrei São Lourenço da
Serra, e por fim a Escola Estadual
Prefeito Antônio Baldusco, no bairro do Despézio. A adaptação foi dura, uma
rede de ensino diferente, uma visão diferente de educação, e em uma escola
periférica, alunos com graves dilemas familiares. Mas logo, a profissão de
educador em um novo estado se fortificou. Muitos projetos, ideias, e o carinho
dos novos alunos e professores, permitiu transformar a escola, e a
possibilidade de uma nova construção pedagógica. Permanecendo durante sete anos
nessa instituição, fora onde realmente construí minha formação profissional.
Lidando com problemas diversos, mas tendo sempre um resultado satisfatório, o
aprendizado.
Como
um profissional visionário, tive nesse período experiências em escola
particular e em faculdade, onde pude lecionar para diferentes perfis de alunos.
Viajamos Brasil afora, uma das atividades de educador que mais valorizo o de
permitir o conhecimento em loco, no campo. Ver o mundo de perto.
Em
2012, apesar de singelas experiências, mudei-me de escola, e agregando a Escola
Estadual Professora Marianinha Queiroz como minha nova área de atuação. O
trabalho ainda está no começo, é árduo e moroso, mas o conhecimento passado
prova, que mudanças ocorrem, são marcantes, e podem de fato construir um novo
pensamento.

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