quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Cada um escreve a sua História...

    Clecio José Carrilho


 “O trabalho ainda está no começo, é árduo e moroso, mas o conhecimento passado prova que mudanças ocorrem, são marcantes, e podem de fato construir um novo pensamento.”

   
S
http://mensagens.culturamix.com/blog/wp-content/gallery/poetas-do-amor/poetas-do-amor-14.pngou educador a exatos dez anos. Formei-me em Geografia, pela Universidade Federal de Uberlândia, no saudoso estado de Minas Gerais, no qual sou nascido e criado. Mas jamais pensei em um dia estar relatando essa minha curta experiência de vida como educador, citando fatos dessa deliciosa prática, a docência.
Por toda a adolescência, pelo menos aquilo que recordo, fui um apaixonado pela natureza, sempre fora um admirador da vida bucólica, e não almeja fugir dessa vida. Assim, ao se aproximar da data de inscrição no vestibular, fui obrigado a passar horas do meu dia pensando em que fazer quando terminar o Ensino Médio. Almejava Engenharia Florestal, mas a faculdade mais próxima ficava horas de distância onde morava, coube, então a escolha e uma universidade mais próxima, e claro a escolha do curso, não me considerava um amante da biologia, por isso opção descartada, a Agronomia seria um grande possibilidade, mas não pensava na ideia de tornar-me vendedor de fertilizantes. Surge então a terceira opção, Geografia. Era a disciplina que mais adorava, e muito se deve a Vânia, professora de geografia de meu ensino médio e, prima. Fechado. Curso escolhido. Seria professor, poderia viajar, e a geografia me possibilitaria ver o mundo. Data do vestibular marcada, primeira fase, sucesso. A segunda, na corda bamba, aprovado pela lista de espera. Finalmente aluno do curso superior em Geografia.
http://mensagens.culturamix.com/blog/wp-content/gallery/poetas-do-amor/poetas-do-amor-14.png                Apesar de cursar a Geografia, sabendo do amor que tinha por conhecer a Terra, sabia das dificuldades que teria enquanto professor. Salário baixo, a realidade de um país que ignora a educação, mas não teve jeito era minha vocação. Dei aula em cursinhos gratuitos como voluntário enquanto estava na faculdade; ajudei a organizar eventos enquanto fazia estagio nas escolas. Pronto, vida definida, professor.
Em 2003, já formado fui a luta. Deixei a cidade onde morei por quatro anos, onde construí minha base acadêmica. Voltei para cidade de meus pais, em busca de uma vida profissional. Estava sedento por ensinar. Apesar da dificuldade de encontrar vaga, em meados de abril do corrente ano, encontrei minha primeira sexta-série. Inesquecível, haja a vista os “santinhos” que surgiram.
De fato nem tudo são flores, mas elas florescem. Somava-se a dificuldade de lecionar para uma turma indisciplina e, o fato da escola estar em outra cidade, a qual somente podia ir de carona, já que ir de ônibus era inviável, pois pagaria para dar aula.
                Felizmente a agonia logo terminou, com a possibilidade da mudança de escola, mas não de cidade e somei um número maior de aulas, foi o marco de minha iniciação profissional. Uma escola com grandes pessoas, um carinho pelos alunos, e considerada uma das melhores escolas do país, Escola Estadual Professor Luis Antonio Correa, vulgo Polivalente. Mantive-me nessa unidade nos anos de 2003 e 2004, realizando projetos diversos, tornando-se marcante pois fora onde obtive minha primeira função de professor coordenador de trabalho, no qual pude realizar viagens até a capital Belo Horizonte para a capacitação dos demais professores das ciências humanas, e onde construí um forte vinculo com os alunos. Nesse mesmo período, também lecionava na cidade onde morava com meus pais, a mesma escola que cursei durante toda a vida escolar. Foi um dos maiores orgulhos de minha vida profissional, lecionar com professores que foram meus professores, e lidar com pessoas que fizeram parte de minha pessoal.
                Ainda nesse período fui aprovado no concurso para professor do estado de São Paulo. Apesar da excelente vida de educador que levava, não tinha estabilidade profissional, por isso a mudança de cidade, de vida, de tudo.
http://mensagens.culturamix.com/blog/wp-content/gallery/poetas-do-amor/poetas-do-amor-14.png                A escolha da cidade encaixa-se bem a minha formação, olhei no mapa do estado e encontrei São Lourenço da Serra, e por fim a  Escola Estadual Prefeito Antônio Baldusco, no bairro do Despézio. A adaptação foi dura, uma rede de ensino diferente, uma visão diferente de educação, e em uma escola periférica, alunos com graves dilemas familiares. Mas logo, a profissão de educador em um novo estado se fortificou. Muitos projetos, ideias, e o carinho dos novos alunos e professores, permitiu transformar a escola, e a possibilidade de uma nova construção pedagógica. Permanecendo durante sete anos nessa instituição, fora onde realmente construí minha formação profissional. Lidando com problemas diversos, mas tendo sempre um resultado satisfatório, o aprendizado.
                Como um profissional visionário, tive nesse período experiências em escola particular e em faculdade, onde pude lecionar para diferentes perfis de alunos. Viajamos Brasil afora, uma das atividades de educador que mais valorizo o de permitir o conhecimento em loco, no campo. Ver o mundo de perto.

                Em 2012, apesar de singelas experiências, mudei-me de escola, e agregando a Escola Estadual Professora Marianinha Queiroz como minha nova área de atuação. O trabalho ainda está no começo, é árduo e moroso, mas o conhecimento passado prova, que mudanças ocorrem, são marcantes, e podem de fato construir um novo pensamento.

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